A beleza da economia

Meu pai sempre foi freak por poupança. Os conselhos dele sempre foram “junte dinheiro, junte dinheiro”, como se o mundo fosse acabar amamnhã. Ok, meus pais viveram em um país muito diferente daquele que eu vivi até agora. Inflação alta, crise econômica, moeda fraca… até então eu tinha feito um grande “nhéen” para esses conceitos “so last decade“. Acontece que a “last decade” voltou com tudo. O que até então era só lembrança da infância, está começando a atingir as nossas vidas diretamente e é real.

O pessoal da década de 80, millenials, assim como eu, cresceram vendo Xou da Xuxa e Caverna do Dragão, e entraram no mercado de trabalho em um contexto de crescimento econômico do Brasil. Assim, acabamos nos acostumando (mal) a viver numa cultura que incentivava o consumo e investimentos arrojados, de altos ganhos em pouco tempo, e desincentivava comportamentos como este do meu pai, conservador e de longo prazo. Agora, somos obrigados a adotar um pouco mais de cautela na nossa vida e um pouco mais da dinâmica da vida deles nos anos 80.

E o consumo de beleza vai nessa mesma leva. Com o orçamento cada vez mais apertado e os produtos (principalmente importados) mais caros, é hora de pisar no freio do consumo (que vinha, digamos, desenfreado). Então, sabe aquela sombra roxa de brilhos amarelos que você comprou há uns dois anos só porque era edição limitada (e nunca usou)? Esse ano, você vai pensar duas vezes antes de repetir a dose. Separei algumas dicas (que, by the way, venho tentando aplicar diariamente na minha vida) para sobreviver ao arrocho sem cair em depressão:

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Reanalise as opções de parcelamento intermináveis: que é dolorido pagar 300, 400 reais em maquiagem, todo mundo concorda. Mas isso fica muito mais confortável quando você parcela sua compra em 12 parcelas, por exemplo. Acontece que você faz isso com a sua compra neste mês, no próximo, no outro, que somam com a parcela do mês anterior e…. pronto! Acaba ficando com uma conta que, no total, dá muito mais que 300, 400 reais, só de parcelinhas.

Descubra velhos favoritos: todos os dias somos afogados em informação. Toda semana, diversos novos produtos atingem as prateleiras, acompanhados de diversos posts, publicidade e vídeos no YouTube que juram de pés juntos que este produto é o melhor produto lançado até então e que você não pode deixar de ter. CALMA! A gente não tem que ir correndo para a loja comprar esse novo produto se, com certeza, você tem um parecido e, provavelmente muito querido, em casa. Foi só o poder da publicidade que fez com que você esquecesse que amava tanto aquele outro produtinho que está na gaveta. Nas últimas semanas tenho feito algo diferente: toda vez que vejo um vídeo no YouTube ou um post de blog e fico com vontade de comprar esse produto, me seguro e vou dar uma “espairecida” na minha gaveta de maquiagem. Depois de alguns minutos brincando com as maquiagens que já possuo, sabe que eu nem me lembro mais daquele produto que a cinco minutos atrás eu tinha que comprar?

Não se sinta mal só porque você não tem a mesma quantidade de produtos que as blogueiras e gurus do YouTube: Elas são, na maioria das vezes, pagas para isso (menos esta aqui que vos fala, porque esta não é blogueira, é apenas uma mera-mortal-confessando-seus-pecados-consumísticos). Esta é a profissão delas, assim como todos nós somos pagos para fazermos o que sabemos melhor, e estes produtos são o objeto de trabalho delas. Portanto, se você não é pago para testar produtos de beleza, não tem muita lógica acumular zilhões deles.

Seja uma cliente chata e experimente antes de usar: Contenha seus impulsos e teste antes de comprar. E não só na mão! Teste no rosto, na medida do que você achar higiênico, obviamente (eu, por exemplo, confesso que não experimento batons, lápis de olho e nem rímel). Mas quer ver uma coisa que muitas vezes nos faz gastar muito mal nosso dinheiro? Base! Se você não experimentou em boa parte do rosto ou do pescoço, não foi dar uma voltinha com a base em outras luzes, não deu um tempo para saber se a base craquela ou se derrete, etc, são grandes as chances de você gastar dinheiro e se arrepender depois.

Com esses pequenos passos, a gente vai controlando um pouco mais os impulsos e vai, também, conseguindo aproveitar um pouco mais daquilo que conquistamos com tanto esforço nessa vida.

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