Sendo mulher em entrevistas de emprego

Ser mulher, trabalhar fora, ter mais de 25 anos e ser recém-casada, é um prato cheio para que superiores e Departamentos de RH bombardeiem com perguntas de foro íntimo como “quando pretende ter um filho”, “nem pense em ter um filho agora” ou até mesmo um impensável “você parou de tomar pílula?” (como se alguma vez você tivesse reportado ao RH qual método anti-concepcional você utilizava…). Quem se encaixa neste perfil provavelmente vai se lembrar de alguma pergunta inconveniente que escutou pelo menos alguma vez na vida.

No entanto, alguns lugares ainda vão além e colocam estas e outras tantas perguntas íntimas já mesmo na entrevista de emprego. Perguntas sobre estado civil, se tem ou se planeja ter filhos ou sobre a forma com a qual “gerencia” trabalho e família não são tão incomuns, apesar de potencialmente ilegais, quando se trata de candidatas mulheres. Por sua vez, seus colegas do sexo masculino raramente são questionados sobre estes temas.

Um artigo recente que li no Huffington Post trazia a informação de que pelo menos 75% das mulheres da área de tecnologia, em posições sêniores, admitiram já ter sido questionadas sobre estes temas em entrevistas de emprego. SETENTA E CINCO!

Isto acontece porque ainda é senso-comum a idéia de que as tarefas domésticas e de cuidados com os filhos são de responsabilidade exclusiva das mulheres. E é esse pensamento que deve ser mudado urgentemente.

As mulheres ficaram por anos, enquanto lutavam por um espaço no ambiente corporativo, se desdobrando na dupla jornada de empregada e de mãe.Hoje, um dos principais movimentos que as mulheres precisam reforçar, já conquistado seu espaço no mercado de trabalho, é o de incentivar os homens a reentrarem no ambiente doméstico, assim como elas fizeram no ambiente corporativo há alguns anos atrás.

Desta forma, homens e mulheres passariam a ser vistos, ambos, em suas funções corporativa e doméstica.

Quando um colega homem dá a notícia que sua parceira está grávida, ninguém pergunta a ele como ele irá gerenciar sua carreira e suas horas de trabalho com as demandas de seu filho. Mas uma mulher escutaria isto milhares de vezes durante uma gravidez. Isto tem que mudar! Por isso, não devemos esperar para que alguém faça esta pergunta ao empregado homem, ela deve vir de nós mesmas, das principais interessadas, das que mais sofrem com preconceitos e com estes tipos de pressão.

As mulheres lutaram e conquistaram uma maior participação no ambiente corporativo. Hoje, a luta é inversa. As mulheres devem incentivar a maior participação dos homens no ambiente doméstico. E somente desta forma, homens e mulheres serão verdadeiramente iguais.

 

(*) Créditos da imagem de capa: Elephant in the Valley Survey

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