Going cruelty-free

Em mais um capítulo dessa fase “vivendo com um propósito”, comecei a perceber que havia algo de errado na minha coleção de maquiagens. “Algo”, não! “Algos”, muitos “algos”.

Primeiro, a quantidade. Ok que eu sou uma verdadeira vi-ci-a-da por maquiagem, adoro experimentar novos produtos, texturas e cores, além de usar maquiagem quase que diariamente. Mas com a quantidade de coisas que eu possuo, fica impossível usar tudo até o final e os produtos acabam passando da validade antes mesmo de serem usados alguns pares de vezes… Resultado? Lá vou eu contribuir para aumentar ainda mais o lixo deste mundo (como se já não houvesse o suficiente).

Pensando por esse prisma, começou a me dar uma certa vergoinha de ter taaanta coisa assim. Muita coisa significa “potencialmente muito lixo num futuro próximo”. Será que eu quero viver com essa sensação?

Segundo, seguindo a lógica deste post aqui, era a sensação de que eu não tinha o mínimo interesse de saber a origem das minhas maquiagens, como ela foi feita, o quê ela contém. Não vou dizer que desconhecia, mas me fingia de cega frente à triste realidade da fabricação de muitos cosméticos: de que pro trás de embalagens luxuosas e marketing reluzente, estão o sofrimento de milhares e milhares de animais e componentes químicos altamente nocivos à saúde (vide alguns processos que a Johnson & Johnson tem perdido nos EUA, devido aos efeitos da utilização de talco no longo prazo).

Não é de hoje que sabemos da utilização de animais na realização de testes de laboratório, para os mais variados produtos. Muita gente (inclusive eu), fazia uma carinha triste na hora, soltava um “oooohhh” e… só! O preço mais baixo, o maior número de pontos de venda e o marketing avassalador em cima dos produtos fazia com que esse sentimento de compaixão se dissipasse em segundos.

Além disso, para a maior parte do público leigo, ainda fica uma pergunta: coitadinhos dos animais, mas isso não é necessário para verificar se esses produtos são seguros para o uso humano? Não sou cientista para saber se esses tipos de testes em animais são reeeeealmente essenciais ao desenvolvimento científico, mas, como leiga, me sinto muito culpada e envergonhada em saber que milhares de animais foram sacrificados no processo de criação de um produto. Com tanto avanço científico, não é possível que o homem ainda não tenha encontrado uma outra forma de testar as composições químicas que inventa. Para mim, leiga, é como se, em pleno século XXI, a gente ainda tivesse que tirar um dente por causa de uma micro cárie! Me parece uma prática muito desproporcional se comparada a todo avanço científico que conseguimos alcançar.

Depois de algumas semanas de pesquisa, o resultado foi a constatação de que eu possuo muito mais produtos de marcas que REALIZAM testes em animais do que produtos de marcas que não testam… (shame shame shame):

non_cruelty_free_makeup

O objetivo é simples: não comprar mais nada, nadinha, de marcas que ainda realizam testes em animais!

Não vou doar os produtos que não sejam cruelty-free, já que o dano já está feito (ou seja, o meu rico dinheirinho já passou para o bolso dessas empresas, infelizmente…). Além disso, já que eu não quero mais financiar essas marcas, corro o risco de, doando, transformar mais uma pessoa em cliente fiel dessa marca (vai que ela ama o produto doado?!?). Ficarei com estes produtos até o final da validade. Mas, a partir de agora, não comprarei mais nenhum produto de marcas que não sejam cruelty-free.

Se a minha posição, sozinha, vai fazer alguma diferença? Claro que não! Mas se a gente pensar assim, vai acabar indo sempre na direção em que todos estão indo, sem ao menos saber o porquê, não é verdade? 😉

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